Durante algum tempo acreditou-se que o consumo de produtos através da Internet seria um comportamento exclusivo da elite. Enquanto uns julgavam a dificuldade em utilizar computadores como principal motivo para esta inibição, outros acreditavam que “acesso à tecnologia” e “baixa renda” nunca dividiriam a mesma sentença. Felizmente, o cenário atual contradiz estes argumentos. As camadas mais baixas estão conectadas e, melhor ainda, ansiosas pela compra de produtos e serviços pela rede.
A confirmação veio na revista Exame, publicada no último dia 21 de novembro, que trouxe um artigo intitulado “Como vender pra pobre na Internet”, escrito por Lucas Bessel. A princípio, o tom pejorativo do título espanta. Mas a intenção do texto, que traz informações importantes para quem busca entender a influência do comportamento consumidor na era digital, é justamente alertar as empresas para o potencial rentável das camadas mais baixas.
O aumento do poder aquisitivo das classes baixas teve papel fundamental neste cenário. De acordo com o artigo, o fluxo iniciou-se na indústria de produtos de consumo, passando para as grandes redes de varejo e por áreas diversas como a de serviços financeiros e imobiliários. Agora, é a vez das vendas pela Internet.
Um dos fatores que motivaram esta tendência foi a queda no preço dos computadores. “Estima-se que em 2007 sejam vendidos cerca de 10 milhões de máquinas, 80% com preço em torno de 1.500 reais”, comenta o artigo. Pelo menos 45% das compras nos principais sites são realizadas por consumidores com renda familiar de até 3.000 reais.
Exemplos de empresas que já estão de olho nesta tendência são a Casas Bahia e a Marabraz. A primeira, em parceria com o Bradesco e a bandeira Visa, planeja lançar no ano que vem sua loja online, disponibilizando produtos que o consumidor não encontra nas lojas físicas. A Marabraz, através de uma parceria com o site Submarino, criou um site de vendas com produtos diferenciados e condições de financiamento elásticas.
Aliás, a adoção online de formas flexíveis de pagamento é essencial para estimular o negócio. Francisco Donato, gerente de e-commerce da rede Magazine Luiza, disse à revista Exame que 90% das compras são feitas com cartão de crédito, mas que o financiamento direto com os bancos já está sendo analisado.
O recado está dado: subestimar o potencial tecnológico dos consumidores pode atrasar o desenvolvimento de soluções inovadoras para a sua empresa. Aproveite para conhecer o comportamento digital do seu cliente e propor novas alternativas para o consumo. Faça atendimento online, questione, permita novos formatos para o seu site e experimente sempre.
Respeitar sua pirâmide digital pode ser a grande oportunidade de se manter no topo dos negócios.