Quem não leu ou ouviu notícias que analisassem a crise do mercado imobiliário nos Estados Unidos? Críticas ao setor e previsões pessimistas marcam as páginas dos jornais e tentam trazer dúvidas e receios aos investidores brasileiros. Ao mesmo tempo, números do mercado imobiliário nacional apresentam-se surpreendentes e cada vez mais otimistas, conformando a solidez das operações no país.
Baseado nesses acontecimentos, a pergunta que mais preocupa os empresários brasileiros é: nosso mercado imobiliário sofrerá os mesmos impactos percebidos na crise americana? O artigo “Crise imobiliária nos EUA pode postergar investimento estrangeiro”, publicado no jornal Gazeta Mercantil e redigido por Lucia Rebouças, diz que não.
“O mercado imobiliário local não será contaminado pela crise americana. As fortes quedas de preços das ações das companhias imobiliárias na Bovespa esse mês – 19,56% na média de 23 empresas – acompanharam o enfraquecimento geral das bolsas de valores ao redor do globo”, comenta o artigo.
A defesa do potencial imobiliário nacional surge justamente nas diferenças entre os dois países. De acordo com o artigo, a crise americana ocorre no mercado hipotecário – definido como um mercado secundário de empréstimos sobre hipotecas residenciais. E este mercado específico ainda está em fase inicial no país.
De acordo com Jorge Arraes, diretor de investimentos imobiliários da Funcef – Fundação dos Economiários Federais -, terceiro maior fundo de pensão do Brasil e um dos maiores da América Latina, as situações não são similares.
“Os investimentos no mercado imobiliário brasileiros não serão afetados pela crise do subprime porque a situação aqui é completamente diferente da americana”, comenta Arraes.
O artigo do jornal Gazeta Mercantil encerra com dados positivos sobre o desempenho imobiliário no ano de 2007:
- Nos primeiros nove meses de 2007, o faturamento de nove companhias do setor cresceu 41,9% em relação ao mesmo período de 2006.
- No mesmo período, o lucro líquido cresceu 88,6%.
- A rentabilidade patrimonial, que mede o retorno obtido com o investimento, subiu de 8,03% nos primeiros nove meses de 2006 para 9,32% no mesmo período em 2007.
- Margem líquida passou de 17,02% para 22,61%.
O mercado imobiliário brasileiro entende que os números otimistas devem ser acompanhados de cautela e investimento contínuo. Acompanhar o crescimento do setor, adequando práticas que o estimulem, deve se tornar um comportamento constante na definição das estratégias futuras.
Os acertos do mercado precisam funcionar como incentivo? Claro! Mas não podemos esquecer que os erros, mesmo quando perceptíveis apenas em outros países, sempre trazem boas lições.