A segmentação no mercado imobiliário parece ganhar corpo com uma ação da Agra Loteadora realizada esta semana. A informação do jornal Gazeta Mercantil é de que a empresa colocou no mercado, o Season, um condomínio residencial dirigido exclusivamente ao público gay, na região de Sorocaba (SP), com valor médio de R$ 100 mil por lote. O investimento no Season é de R$ 7 milhões e a expectativa com o negócio é faturar R$ 17 milhões.
Mais do que uma extraordinária infra-estrutura projetada para o empreendimento, o importante a ser considerado na estratégia é a convergência de oportunidades apontadas para o negócio e vislumbrada pela Agra. Em primeiro lugar, o perfil do público-alvo: pessoas exigentes, com alto poder executivo, bom gosto e sem grandes opções de produtos específicos em se tratando de imóveis.
Outro ponto a ser destacado é a carona da Agra no recente estímulo da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado de São Paulo que, há um mês, “reviu o conceito de família e passou a conceder financiamento imobiliário para casais homossexuais, ou melhor, para ‘uniões conjugais do mesmo sexo’” (Fonte: Gazeta Mercantil).
A Agra colocou a comercialização dos lotes sob a responsabilidade da Sotheby's do Brasil. Segundo o diário de negócios, a empresa é um “braço imobiliário da casa de leilões norte-americana Sotheby's, que atua no segmento de alto padrão”.
A análise dessa nova tomada de rumo atende ao conceito em voga no meio empresarial chamado de IC, ou Inteligência Competitiva. No site da Society of Competitive Intelligence Professionals (www.scip.org), Larry Kahaner, define a IC como “o programa sistemático de coleta e análise da informação sobre atividades dos concorrentes e tendências gerais dos negócios, visando atingir as metas da empresa”.
Só o tempo mostrará se realmente a proposta de segmentar, digamos, um bairro pode vingar, uma vez que nunca foi muito promissor a questão de localidades com esteriótipos de raça, crença, nacionalidade ou qualquer outra característica. Talvez, com a sexualidade não seja diferente. Mas fica, antes de mais nada, valendo - e muito - a mobilização da Agra ao enxergar um nicho diferente, ousado e aparentemente rentável para o mercado imobiliário.